‘Umbrella girls’: o que dizem elas

Sobre o tema das umbrella girls, nada melhor do que ficar a saber o que pensam elas.

321

O tema das ‘umbrella girls’ incendiou a internet. Tudo foi desencadeado quando a F1 anunciou que vai acabar com as ‘meninas do guarda-sol’ nas suas grelhas de partida, assunto que abordámos aqui. As opiniões dividem-se, mas dentro do meio parece haver mais vozes a favor da presença das meninas do que contra.

E foi da opinião das meninas que fomos à procura. Amy Dargan tem 29 anos e nos últimos a sua cara tornou-se conhecida na televisão, primeiro nas transmissões do Mundial de Motocross, agora nos grandes prémios do Mundial de Velocidade. Mas não como grid girl, isso foi antes. Amy é jornalista, mas entrou no mundo das motos como umbrella girl, enquanto estudava na universidade, e foi assim que teve a primeira oportunidade como repórter de TV, que é a sua actual profissão.

«Para mim essa parte moldou a minha vida actual de forma positiva, por isso é algo de que não me arrependo», diz Amy numa de várias mensagens sobre o assunto no Twitter, mas estando consciente que a profissão de grid girl não é muito bem vista por alguns: «Se acho que há necessidade de existirem grid girls? Provavelmente não. Se acho que é depreciativo para as mulheres? Acho que tem a ver com o ideal de cada um e de como as mulheres são vistas, e isso é individual», diz Amy.

«Parem o mundo já. Quero sair. É a loucura. Não podemos ter grid girls, mas a pronografia é perfeitamente aceitável». Diz Emma K, namorada do piloto de sidecars Ash Hawes, que noutro tweet faz questão de deixar claro que ser grid girl aos 21 anos foi um sonho tornado realidade.

Tal como Amy Dargan, houve várias outras mulheres que chegaram ao desporto motorizado como brolly dolly, que serviu apenas como porta de entrada para uma carreira diferente. É o caso, por exemplo, de Michelle Westby, actualmente stunt driver e drifter.

A britânica de 29 anos começa por dizer no Facebook que até estava para não fazer qualquer comentário sobre o assunto porque as semhoras estavam a lidar bem com o tema, mas alguns comentários jocosos fizeram-na lançar-se ao teclado: «Alguns comentários deixaram-me o sangue a ferver, coisas como ‘não têm qualquer objectivo, inteligência ou conhecimento sobre competição’, ou ‘já era tempo de arranjarem um trabalho a sério’. Primeiro que tudo, a maioria das miúdas que trabalham na grelha de partida têm um forte interesse na competição e, tal como eu, envolveram-se em funções no pit lane onde quer que fosse possível, usando o tempo nas pistas para melhorar os conhecimentos sobre os carros e a competição».

Michelle acrescenta: «A ideia mais importante que eu gostaria de passar é que se não fosse o meu trabalho na grelha de partida e como modelo promocional, eu não estaria onde estou hoje, num desporto dominado pelos homens, como stunt driver e piloto de drift, influenciando e inspirando mulheres para este ambiente intimidantemente masculino».

Há coisas mais importantes

Petra Byrne e Rebecca McGuinness, mulheres de Shane ‘Shakey’ Byrne e John McGuinness, respectivamente, também não vêem razões para a proibição. Petra é modelo e sendo casada com um piloto, conhece bem ambos os mundos: «Eu sempre quero estar na grelha ao lado do meu homem… normalmente a segurar-lhe a mão antes da partida. Para as outras raparigas é um trabalho, são pagas para isso e desfrutam de estar ali. O paddock é uma grande família!»

«No final do dia, haver ou não grid girls não interessa para a maior parte das pessoas, para ser honesta. O mundo e as pessoas estão a desfazer-se com verdadeiros problemas que precisam de ajuda verdadeira, vamos lá fazer qualquer coisa em relação a isto primeiro», diz Rebecca, que não é a única a alertar para problemas mais sérios e reais.

Pippa Morson, agora Pippa Laverty, também prefere apontar para problemas relevantes: «Porque estamos a falar sobre algumas modelos que vão perder os seus glamosoros trabalhos que apenas fazem alguns fins-de-semana por ano… então e as milhares de jovens meninas que são verdadeiramente exploradas na indústria do tráfico sexual todos tos minutos de todos os dias», terminando com um emoji ‘facepalm’.

Quem vai sofrer na pele

Algumas das actuais grid girls lamentam ver o seu trabalho desaparecer: «Por causa destes feministas, isto custa-nos os nossos empregos! Há oito anos que sou grid girl e nunca me senti desconfortável. Adoro o meu trabalho, senão não o faria. Ninguém nos força a fazer isto! A escolha é nossa!», diz a modelo Lauren-Jade Pope, e a opinião de outra modelo e grid girl, Hannah Louise, vai no mesmo sentido: «Sou uma grid girl, adoro o meu trabalho e fui eu que escolhi fazê-lo! O problema neste momento é que há muita gente a sentir-se ofendida em nome de pessoas que não se sentem ofendidas, de todo!»

E Lucy Stokes vai mais longe: «Adoro o meu trabalho. Sou respeitada, bem paga e orgulhosa por representar a equipa para quem trabalho. Não está certo que alguém, e muito menos os/as ‘feministas’ julguem o nosso trabalho, quando na verdade estão a deixar muitas mulheres sem trabalho. Onde está a igualdade e o empoderamento nisto?»

Vozes contrárias

Mas mesmo entre as senhoras há vozes em sentido contrário. Uma delas, e que conhece bem a F1, é a jornalista  Beverley Turner, que comentou durante alguns anos este desporto para a televisão britânica, tendo mesmo escrito um livro sobre o assunto ‘The pits, the real world of formula 1’.

Escreveu ela num tweet: «Foi só há 15 anos que eu comecei a martelar sobre a exibição de mulheres na F1 como gado. Pode parecer trivial, mas estes desportos de elite condicionam-nos fortemente a ver as mulheres como ‘borrachos’ passivos enquanto os homens têm toda a acção. Uma boa notícia». Porém este texto gerou uma onda de contestação, em que a palavra mais usada foi hipócrita. É que Beverly, agora com 44 anos, quando mais nova posou com muito pouca roupa (ou nenhuma…) para revistas masculinas, tendo sido modelo da Elite Premier e constado da lista das ‘Mulheres mais sexy’ da FHM em 2001.

Outra voz feminina a favor da proibição é a de Tammy Gorali, jornalista israelita que comenta MotoGP na TV, e que protagonizou uma acesa discussão no Twitter, tendo como um dos opositores Leon Haslam.

Por outro lado, houve quem encarasse o assunto com algum humor, como Carl Fogarty, ex-campeão mundial de SBK, ou Sturat Higgins, director do BSB.

Uma coisa é certa, o assunto tomou proporções que, certamente, ninguém esperava, e não deve ficar por aqui. O que acham?