Triumph Tiger 1200 em teste

A Triumph Tiger 1200 foi renovada para 2018 e as diferenças que marcam a aventureira britânica são a ergonomia revista, redução e optimização do seu peso e adição de electrónica. Durante dois dias testámo-la no sul de Espanha, em estrada e fora dela.

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A aventura é uma das mais fortes motivações que impulsiona o mercado motociclístico da actualidade. E aventura foi o que nos serviram na apresentação da nova Triumph Tiger 1200. Durante dois dias exploramos os melhores locais do deserto dos sul de Espanha na zona de Almeria. O fora de estrada foi um dos ambientes que a marca de Hinkley mais quis destacar. Como foi para este ambiente que muitas alterações foram feitas, reservou um dia para explorarmos os vários “canyons” do deserto de Tabernas. Foi com más condições climatéricas que o deserto de Tabernas e as suas serras nos receberam no primeiro dia. Muita chuva, frio e alguma neve nos pontos mais altos deram-nos o ambiente necessário para explorar o conforto que a nova Tiger 1200 nos oferece.

FACILIDADES E CONFORTO

Os pontos que mais marcam a renovada aventureira britânica são a ergonomia revista, a redução e optimização do seu peso e a adição de electrónica. Com o piso escorregadio, a chuva e o frio, todas as novidades trabalharam para nos garantir um primeiro dia bem mais agradável. No lado do conforto destaca-se a posição de condução que foi acertada. O nosso tronco está mais direito, carregando menos os braços em especial os ombros. O ecrã tem um novo desenho e pode ser regulado em altura para aumentar as sua eficácia, algo que se mostrou útil para nos proteger da intempérie. Ainda no que respeita ao conforto, tanto o aquecimento de assento como o de punhos estiveram sempre ligados. A Tiger está agora equipada com sistema de acelerador electrónico, que permite termos diferentes mapas de resposta do motor. Na maior parte das situações gostámos mais do mapa mais directo que nos dá controlo imediato do acelerador. Nos momentos de chuva e mais frio passamos para uma resposta menos pronta que facilitou o domínio da reduzida aderência. O mapa de potência reduzida não nos convenceu mas poderá ser interessante quando em passeio queremos a suavidade total. Nas más condições de piso todas estas ajudas deram-nos alguma paz de espírito e permitiram acertar a Tiger para ser bem dócil de levar.

DESTAQUES

Cilindrada: 1215 cc
Potência: 141 CV/9.350 rpm
Binário: 122 Nm/7.600 rpm
Peso: 248 kg
Preço: 21.350 € (XCA)

UMA TRIUMPH TIGER PLENA DE OPÇÕES

Fora a versão base, todas as outras beneficiam de muita electrónica e um alargado conjunto de modos de condução que englobam o sistema activo de regulação de suspensões. Ainda assim a base tem, 3 modos de condução, cruise control, ABS e controlo de tracção desligáveis. Todas as restantes recebem um fantástico painel de instrumentos em TFT, com inúmeras possibilidades de configuração. O ABS e o controlo de tracção adaptam-se a cada momento de inclinação em curva para optimizar o seu funcionamento. Pelo que pudemos testar, e as condições estavam perfeitas para isso, ambos funcionam de forma eficaz e praticamente não se dá pela sua actuação. Podemos tirar o melhor partido da condução sem sentirmos que estamos a ser limitados. Contudo sabemos que temos sempre uma rede de segurança.

MOTOR ESPECIAL

Em estrada rodámos maioritariamente em Road ou Sport, os que nos dão uma resposta mais directa do três cilindros. Na unidade com que rodámos, a versão XCa, tem de série um sistema de escape da Arrow, com silenciador em Titânio revestido a carbono que, além de ajudar a reduzir o peso, o motor além do comportamento vivo tem uma sonoridade a condizer. Tudo é apimentado a cada passagem de caixa com o sistema de quick-shift que acrescenta aquele toque desportivo a cada toque no selector. Este “Triumph Shift Assist” funciona nos dois sentidos e é uma peça importante no conforto de condução, já que deixamos de ter de usar a embraiagem.

AVALIAÇÃO

MOTOR - 8 pontos

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O motor da Triumph Tiger 1200 foi renovado nesta versão de 2018, para oferecer um mais binário. Passou a ter uma resposta mais contundente, além de estar mais rápido a ganhar rotação. Sobe de regimes com mais alegria, de forma mais solta. Continua a ter um timbre muito especial por se um tratar de tricilíndrico. Tem uma “voz” rouca que nesta versão XCA com silenciador Arrow ganha tom especial. Sente-se como se ouve-se uma ligação directa entre o acelerador e a respostas da roda traseira. É uma unidade muito divertida de usar. A caixa de velocidades foi também revista e mostra-se bastante suave e precisa nas passagens. A esta junta-se um sistema de quick shift, que nos retira o trabalho de accionar a embraiagem a cada passagem de relação, para cima e nas reduções. A transmissão final mantêm-se por veio, com grandes vantagens na quase ausência de necessidade de manutenção, este sistema mostrou-se suave mesmo na condução fora de estrada.

CICLÍSTICA - 9 pontos

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A Tiger 1200 está mais leve e isso reflecte-se no comportamento da sua ciclística. A optimização das massas, em especial das operadas nas partes móveis do motor, como a cambota têm aqui uma grande responsabilidade. A Tiger está mais fácil de colocar em curva e, acima de tudo, parece ter um comportamento mais neutro de direcção. Continuamos a sentir que temos um moto de grandes dimensões nas mãos. Contudo a condução tornou-se mais intuitiva, natural e descontraída. É mais agradável e divertida de conduzir. As suspensões WP desta versão XCA são reguladas electronicamente e o seu funcionamento mostrou-se sempre muito eficiente quer em estrada como fora dela. As irregularidades da estrada são ultrapassadas sem que sintam. Ainda assim as massas da Tiger 1200 são sempre mantidas debaixo de grande controlo. A travagem é eficiente e com uma resposta progressiva. Para se andar fora de estrada é possível alterar a intervenção do ABS e desligá-lo.

QUALIDADE/PREÇO - 8 pontos

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Com um preço de 21.350 euros, a versão XCA da Tiger não pode ser considerada barata. Mas uma análise ao sua lista de equipamento explica parte deste preço. Primeiro é bom referir que esta versão perdeu 10 kg face à versão anterior, mas nenhum equipamento. A iluminação adaptativa em curva, e as suspensões semi-activas são elementos difíceis de contornar. Existe ainda o painel de instrumentos em TFT de fácil leitura que nos dá acesso às muitas definições da moto. Um pratico “joystick” no polegar esquerdo, facilita muito a navegação nos menus. A ignição é Keyless e a caixa tem um sistema de quick-shift que nos liberta da embraiagem depois de arrancarmos. Há o ABS adaptativo em curva, o controlo de tracção que tem em conta a inclinação e ajuda ao arranque em subida. A Tiger leva-nos literalmente ao coloto. No que respeita ao conforto a protecção aerodinâmica pode ser ajustada com a regulação eléctrica do ecrã, os assentos e punhos são aquecidos. Difícil pedir mais a esta trail, mais que pronta para o turismo de longas distâncias e aventura. Mas se quiser manter tudo muito simples, por 16.200 euros, pode comprar a versão base da Tiger 1200.

AINDA MAIS CAPAZ EM OFF-ROAD

Para a experiência em fora de estrada, a Triumph equipou as Tiger 1200 com pneus mais focados no off road. Foram escolhidos os Pirelli Scorpion Rally, que estão homologados para serem utilizados neste modelo. Ao tornar a direcção mais “leve” e neutra, a Tiger tornou-se menos intimidante. É uma qualidade importante para as saídas para terrenos mais soltos. Depois de alguns quilómetros de adaptação ao peso da Tiger, pudemos soltar-nos mais na pilotagem fora de estrada e divertir-nos. As reacções neutras continuam a mostrar-se neste ambiente e é fácil levar a direcção da Tiger.

NÍVEIS DE AJUDA

Numa fase inicial mantivemos o modo “Off Road” ligado, com ABS na frente e bastante efeito do controlo de tracção na traseira. Para ajudar a colocar a Tiger na direcção certa, assim que começamos a rodar mais rápido, optámos por usar o modo “Off Road Pro”. Mantivemos o ABS na frente, mas reduziu-se praticamente ao mínimo a intervenção do controlo de tracção. Assim com ajuda de alguma deriva da traseira sentimo-nos mais confortáveis.

Novas tecnologias e melhoramentos técnicos,
saiba tudo o que mudou na Triumph Tiger 1200

MADURA

A Triumph Tiger 1200 está um modelo ainda mais maduro.  Tal como a sua imagem muito colada ao modelo anterior faz ver, mantém todas as características dessa última encarnação. As grandes mudanças vieram ao encontro do que se exigia. Mais electrónica e equipamento e uma maior agilidade. A Tiger é uma moto que cumpre com tudo o que se pode exigir a uma grande trail. A todas as qualidades necessárias junta um carácter muito próprio oferecido pelo seu motor de três cilindros.