Testes MotoGP Sepang: balanço do último dia

Os pilotos de MotoGP fazem um balanço positivo dos primeiros testes do ano, em Sepang. Agora regressam à pista de 16 a 18 de Fevereiro, para conhecer o Circuito Internacional Chang, em Buriram, na Tailândia.

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Jorge Lorenzo

Jorge Lorenzo colocou a ‘manteiga’ de lado no último dia de testes de MotoGP em Sepang e sacou do ‘martelo’ para cravar a melhor volta de sempre em duas rodas ao circuito malaio.

Apesar de não ter tido a moto pronta para os primeiros testes em Novembro em Valência, a Ducati trabalhou arduamente para chegar a Sepang com uma moto que agradou muito a ambos os pilotos oficiais. Especialmente Jorge Lorenzo gostou da GP18, por estar agora mais adequada ao seu estilo de pilotagem.

Nos testes privados realizados dias antes dos oficiais em Sepang e destinados apenas aos pilotos de testes de cada construtor – testes privados organizados pela Yamaha, permitindo a presença das outras equipas, na condição de não haver divulgação de informação/fotos – Casey Stoner rodou com a GP18 antes de Lorenzo e Dovizioso, e já tinha deixado boas indicações (mas o australiano, ao contrário do ano passado, este ano não rodou nos testes oficiais).

Curiosamente, a Ducati não permitiu que o australiano partilhasse informação com os pilotos oficiais antes destes terem oportunidade de rodarem eles próprios na nova moto. Talvez para não serem influenciados na sua opinião… ou para os engenheiros italianos verificarem o quanto cada piloto notava de diferença em relação à versão anterior sem qualquer informação prévia.

Grande parte dos pilotos fez uma simulação de corrida neste último dia, e aparentemente toda a gente ficou satisfeita com os resultados. Mas este foi apenas o primeiro teste do ano, numa pista peculiar com a de Sepang, sob um forte calor.

Alguns dos pilotos, como foi o caso de Marc Marquez, acabaram por não tentar uma volta rápida, pelo que os tempos finais não são – como sempre nos testes de pré-temporada – totalmente conclusivos.

De qualquer modo, os testes acabam com tempos finais muito próximos, com 14 pilotos abaixo dos 2’00 (na qualificação para o último GP da Malásia, no final de Outubro, apenas pilotos conseguiram rodar em 1’59, mas nos testes de há um ano foram 10) e com Jorge Lorenzo a conseguir um tempo canhão e a ser o primeiro, e para já único, a rodar em 1’58 neste circuito.

E se no ano passado por esta altura estavam duas Yamaha, duas Honda e uma Ducati nas cinco primeiras posições, este ano são três Ducati e duas Honda, com a primeira Suzuki em 6.º e a primeira Yamaha, a de Maverick Viñales (a sensação destes testes no ano passado) em 7.º.

Isto apesar de ambos os pilotos oficiais da Movistar Yamaha estarem bastante satisfeitos com a evolução da M1 para este ano, e sem deixarmos de ter em conta que os 10 primeiros ficaram separados por menos de sete décimas de segundo.

Esperemos agora pelo próximo teste, num circuito desconhecido dos pilotos, o Chang International Circuit, em Buriram, na Tailândia; aliás, desconhecido de todos não: por exemplo, Valentino Rossi já la rodou, em 2015. Mas foi de YZF-R3 num evento da Yamaha. E não gostou. «Poucas curvas, e rectas muito longas e fica longe de tudo. Não é o melhor sítio para se ir», disse Rossi no passado mês de Junho quando se soube que o Mundial ia passar pelo circuito tailandês, que fica a cerca de 400 km a nordeste de Banguecoque.

1. Jorge Lorenzo (48 voltas, 1’58.830)

«Deixo Sepang muito satisfeito com o trabalho que realizámos ao longo dos três dias, não apenas por causa do tempo que estabeleci hoje, mas também porque estou convencido de que muitos dos aspectos da moto melhoraram desde o ano passado. Agora sinto que está mais adaptada ao meu estilo de pilotagem e sinto-me mais em casa ao pilotá-la, mas ainda temos que compreender algumas coisas para ser capaz de extrair todo o seu potencial. Estamos apenas no início do ano, mas as sensações já são boas e agora será importante confirmá-las no próximo teste na Tailândia.»

Jorge Lorenzo
2. Dani Pedrosa (58 voltas, 1’59.009)

«Acho que tivemos um último dia positivo, e um teste, de um modo geral, positivo aqui em Sepang. A equipa fez um excelente trabalho, já que planeámos correctamente a agenda para cada dia. Hoje compilámos todos os melhores aspectos dos dois dias anteriores e trabalhámos na nossa velocidade, e completámos uma simulação de corrida quase com a distância total com bom ritmo. Trabalhámos no motor, na aerodinâmica, suspensões e pneus, quer com especificações macias quer duras. Podemos dizer que abordámos praticamente todas as áreas de afinação, e conseguimos uma boa sensação geral e reunimos muita informação. Agora temos que analisar tudo mais detalhadamente, mas as sensações estão cá. Agora estamos ansiosos por confirmar tudo noutras pistas.»

Dani Pedrosa
3. Cal Crutchlow (65 voltas, 1’59.052)

«Hoje foi um dia positivo, ficámos realmente agradados com o modo como trabalhámos ao longo dos três dias. Procurámos a melhor volta muito cedo, talvez não no momento certo porque as condições da pista não eram as melhores e cometi alguns erros nessa volta, por isso de um modo geral estamos satisfeitos  com o resultado, sermos tão rápidos na Malásia, que normalmente não é uma boa pista para mim. Também fizemos uma simulação de corrida hoje. Comecei com um pneu já com seis voltas feitas e depois completei mais 15. O pneu traseiro perdeu um pouco a partir das 10.ª volta e também não estava com o meu pneu dianteiro preferido. Por isso não puxámos para o tempo por volta e no final do dia completámos o programa.»

Cal Cruthlow
4. Andrea Dovizioso (51 voltas, 1’59.169)

«Foram três dias de testes muito interessantes e saímos de Sepang com muito boas sensações. A queda desta manhã complicou um pouco o nosso programa, mas no final voltámos a sair para mais umas voltas com a GP17 e pudemos comparar alguns dados que confirmaram as melhorias na nova moto, especialmente a meio da curva. Para ser sincero, não esperava uma melhoria tão clara no primeiro teste, e agora temos que confirmar que estamos no caminho certo nos próximos circuitos que visitarmos.»

Andrea Dovizioso
5. Jack Miller (36 voltas, 1’59.346)

«Estou realmente muito satisfeito com este primeiro teste. As sensações na moto são muito boas e creio que ainda temos margem para explorar aqui e ali. Na Tailândia vamos começar a trabalhar também nos pormenores, mas entretanto o ritmo da simulação de corrida foi realmente encorajador. Estou ansioso por regressar à pista dentro de duas semanas.»

Jack Miller
6. Àlex Rins (52 voltas, 1’59.348)

«Estou realmente contente porque terminamos estes três dias depois de muito trabalho que foi bastante produtivo, hoje foi óptimo. Testámos muitas coisas durante os três dias e uma delas foi o motor, e acho que melhorámos a aceleração e a velocidade máxima. Existem também mais coisas que testámos que foram positivas. Fizemos uma simulação de corrida e foi bem, num bom ritmo, e isto é importante não apenas para a confiança mas também para podermos dar feedback ao Japão sobre o seu trabalho. Testámos uma nova forquilha, que também é boa e trabalhámos também na electrónica.»

Alex Rins
7. Marc Marquez (75 voltas, 1’59.382)

«Hoje estou contente porque trabalhámos muito e bem. Até fizemos uma simulação de corrida de 15 voltas por volta das três da tarde, quando a temperatura da pista estava muito alta, e o nosso ritmo foi bom. À tarde continuámos a testar coisas diferentes e por fim acabámos por não tentar uma volta rápida, mas senti-me muito bem na moto. Precisamos de analisar melhor a aerodinâmica, e noutros circuitos, já que queremos fazer a escolha acertada. Por outro lado, acho que fizemos um excelente trabalho com o motor, embora ainda não tenhamos a afinação a 100%. De um modo geral, acho que o Dani, o Cal [Crutchlow] e eu trabalhámos de modo um pouco diferente, e reunimos muita informação que será para a Honda preparar uma boa base.»

Marc Marquez
8. Valentino Rossi (54 voltas, 1’59.449)

«Hoje foi um trabalho duro, mas bom trabalho. Primeiro, testámos tudo e temos ideias bem claras, mas hoje foi o dia mais difícil. Sofremos um pouco mais devido a uma falta de aderência que nos fez perder algumas posições, mas comparado com o ano passado melhorámos o ritmo também com os pneus usados. Sabemos que é um trabalho duro, temos que melhorar, mas no final este teste foi bastante positivo.»

Valentino Rossi
9. Johann Zarco (55 voltas, 1’59.511)

«Estou realmente contente, porque em três dias de testes não sofremos qualquer queda, o que é importante para regressar com a maior confiança possível. As condições esta manhã eram ideais e tentámos usar essa oportunidade para baixar o tempo e 1’59.5 não é mau, embora eu preferisse ter sido um pouco mais rápido. No entanto, sei que também tenho que melhorar eu próprio. Mais tarde fiz 13 voltas consecutivas e fisicamente senti-me muito melhor do que há um ano, e para além disso o ritmo foi umas décimas mais rápido a cada volta. Deveria ter sido mais rápido, mas pelo menos fui verdadeiramente consistente e poupei a minha energia. O novo conjunto aerodinâmico da Yamaha é óptimo, dá-nos mais estabilidade do que antes, é menos exigente fisicamente. Vou trabalhar nele ao longo do ano, dependendo da pista, mas acho que podemos ter um bom contacto da frente e estabilidade em quase todo o lado.»

Testes MotoGP Sepang
Johann Zarco
10. Danilo Petrucci (49 voltas, 1’59.528)

«Trabalhámos muito em ambas as motos. Poderia ter feito algo mais no ataque à volta rápida de manhã nas melhores condições da pista, mas tivemos um problema técnico que nos abrandou. No entanto estou muito satisfeito com as sensações que a Ducati Desmosedici de 2018 me deu. Na Tailândia teremos mais tempo para trabalhar com esta moto.»

Danilo Petrucci
11. Tito Rabat (35 voltas, 1’59.547)

«Foi um teste muito positivo porque consegui ser rápido e com muito bom ritmo rodando sozinho. Cada vez me sinto melhor na moto e a equipa fez um grande trabalho durante estes três dias. À tarde fizemos uma simulação de corrida, mas caí e não conseguimos terminá-lo. O bom é que sabemos porque é que aconteceu, já nos tinha acontecido no primeiro dia na mesma curva por causa do pneu dianteiro. Este pneu não avisa, mas como já sabemos, temos as coisas preparadas para o próximo teste. Estou muito contente com o modo como correram os testes, com a equipa, com a moto e com a minha forma física. Agora é preciso treinar para estar preparado para a Tailândia.»

Tito Rabat
12. Andrea Iannone (62 voltas, 1’59.615)

«Hoje também foi um dia construtivo em que trabalhámos passo a passo com mais comparações e análises. Ainda nos falta alguma informação para definir um conjunto final, este é um momento muito importante, já que estamos a estabelecer o desenvolvimento para o futuro e precisamos de fazer as escolhas acertadas. Foram várias as coisas que tivemos para testar e pudemos comparar com as sensações do teste do ano passado, e para ter uma boa comparação em pistas diferentes é importante ter um conjunto que nos ajude a ser competitivos durante todo o campeonato.»

Andrea Iannone
Melhores tempos dos três dias