MotoGP: terminou a espera! Está aí o GP do Qatar

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Pilotos de MotoGP

Amanhã de manhã começam os treinos para o Grande Prémio do Qatar, o primeiro da temporada de 2018. Esta será a temporada mais longa de sempre, com 19 grandes prémios, mais um do que nas mais recentes temporadas.

Mais do que ninguém são os pilotos que estão ansiosos por dar início à temporada, que se espera bem competitiva. São os próprios pilotos que admitem que este ano parece haver um muito maior equilibrio, quer mecânico quer de pilotos.

Os pilotos que estiveram na conferência de imprensa hoje admitem que há mais pilotos com potencial para vencer corridas do que no ano passado. E os vencedores podem ser pilotos independentes, como Johann Zarco, Cal Crutchlow ou Danilo Petrucci.

Porém só se conhecerá o verdadeiro potencial de cada um deles depois das primeiras corridas. Mesmo assim não será fácil traçar prognósticos. No ano passado quando o Mundial chegou à Europa para o GP de Espanha, muitas coisas mudaram.

Este será o 15.º GP realizado em Losail e o 11.º realizado à noite, mas desta vez com horários diferentes. Os treinos deixam de começar à quinta-feira, e começam à sexta como todos os outros GPs. Para além disso, sessões de treinos e corridas começam mais cedo, ainda com sol para as categorias de Moto3 e Moto2. O objectivo é evitar a queda acentuada da temperatura no início da noite, que altera as condições da pista.

Pilotos de MotoGP 2018
Pilotos de MotoGP 2018

Factos, estatísticas e curiosidades:

Da categoria de MotoGP sairam Loriz Baz (regressou ao Mundial de SBK), Jonas Folger (interrompeu a carreira por questões de saúde), Héctor Barberá (passou para Moto2) e Sam Lowes (regressou às Moto2).

Por outro lado temos 5 rookies esta temporada, quatro dos quais já venceram corridas na categorias mais baixas do Mundial: Franco Morbidelli (8 vitórias em Moto2), Tom Lüthi (11 em Moto2 e 5 em 125 cc), Xavier Siméon (1 em Moto2), Takaaki Nakagami (2 em Moto2), e Hafizh Syahrin que já subiu ao pódio em Moto2 mas nunca venceu.

Destes Franco Morbidelli e Tom Lüthi são os únicos que que já venceram aqui noutras classes: Morbidelli no ano passado em Moto2 e Tom em 2016, também em Moto2.

Este é o 15.º grande prémio realizado no circuito de Losail e o 11.º com corridas nocturnas sob iluminação artificial. É também a 12.ª vez consecutiva que o Qatar recebe o primeiro grande prémio de uma temporada.

No ano passado, apesar de ter caído, Johann Zarco fez história na sua estreia em MotoGP. Foi o primeiro piloto francês a registar a volta mais rápida numa corrida de MotoGP. O último francês a fazê-lo na categoria rainha, na altura as 500, foi Christian Sarron. Aconteceu no Grande Prémio da Suécia, em Anderstorp, em 1989.

Para além disso, Zarco foi o único da actual lista de pilotos a liderar a sua corrida de estreia – esteve na frente nas seis primeiras voltas, até cair. A última vez que um estreante tinha liderado a sua primeira corrida na categoria rainha foi em 1998. No primeiro GP desse ano, no Japão, os estreantes Max Biaggi e Noryuki Haga lideram a corrida em Suzuka. O italiano venceu, o japonês ficou em terceiro.Motos MotoGP 2018

Quem tem os melhores resultados?

A Yamaha tem sido o construtor mais bem sucedido no Qatar em MotoGP, com 8 vitórias, incluíndo 4 nos últimos 6 anos.

A Honda tem 3 vitórias em MotoGP no Qatar, a última das quais em 2014.

A Ducati também tem 3 vitórias em Losail, todas consecutivas, conseguidas por Casey Stoner. A última foi em 2009.

O melhor resultado para a Suzuki neste circuito foi o 4.º lugar alcançado em 2007 por John Hopkins. No ano passado o melhor piloto Suzuki foi Alex Rins, que terminou em 9.º.

No ano passado, o segundo lugar de Andrea Iannone na qualificação foi a melhor posição de sempre de um piloto Suzuki na grelha de Losail.

O GP do Qatar do ano passado ficou marcado pela estreia da KTM na categoria rainha. Pol Espargaró terminou em 16.º e o seu companheiro de equipa Bradley Smith foi 16.º.

A Aprilia conseguiu um dos seus melhores resultados da época logo no Qatar, com Áleix Espargaró a terminar em 6.º, igualando o melhor resultado que a Aprilia já tinha alcançado nesta categoria. Colin Edwards tinha sido 6.º no GP do Japão, em Suzuka, em 2003. No ano passado Espargaró voltaria a terminar em 6.º no GP de Aragão.

Jorge Lorenzo é o piloto com maior número de vitórias em Losail, seis. Três em MotoGP, duas em 250 cc e 1 em 125 cc.

Fez-se história

No GP do Qatar de 2017 foi a primeira vez que as quatro primeiras posições da grelha estiveram ocupadas por pilotos oriundos das Moto2 – Viñales, Iannone, Marquez e Zarco.

Ao terminar a corrida do ano passado em terceiro na primeira corrida da temporada com 38 anos, Valentino Rossi tornou-se no piloto mais velho de sempre a conseguir um pódio desde que Jack Findlay venceu o polémico GP da Áustria de 1977. Vários pilotos recusaram correr nesse GP devido às condições de segurança. Foi por causa de um acidente na corrida de 350 cc que resultou na morte de Hans Stadelmann; ficaram ainda feridos Johnny Cecotto, Dieter Braun, Franco Uncini e Patrick Fernandez. Findlay tinha 40 anos quando alcançou essa vitória. Troy Bayliss tinha 37 quando venceu o GP da Comunidade Valenciana em 2006.

Desde que a categoria de MotoGP foi introduzida, em 2002, seis pilotos diferentes venceram a primeira corrida do ano: Valentino Rossi, Loris Capirossi, Casey Stoner, Jorge Lorenzo, Marc Márquez e Maverick Viñales.

Desde 2002 em apenas três ocasiões o piloto que conquistou o título no final do ano não esteve no pódio no Qatar: Rossi em 2008, Lorenzo em 2015 e Marquez no ano passado.

Moto2 – aceitam-se apostas

Se em MotoGP é difícil fazer prognósticos, o que dizer de Moto2? Dos pilotos que ficam há vários favoritos, e um deles é Miguel Oliveira. O piloto português dominou o final da temporada passada com três vitórias consecutivas e está confiante em manter esse ritmo. O que não quer dizer que terá vida fácil. Não só há mais KTM na grelha, que se mostraram fortes nos testes de pré-temporada, como há alguns rivais do ano passado que prometem luta.

São eles pilotos como Álex Marquez, Lorenzo Baldassari, Dominique Aegerter, Mattia Pasini, Brad Binder ou Francesco Bagnaia. Depois temos ainda os regressados. Eric Granado (esteve em Moto3 entre 2012 e 2014), que é campeão europeu de Moto2; ou Steven Odendaal, que também conquistou o europeu um ano antes do brasileiro. Eles já passaram pelo Mundial, e agora regressam com muito mais experiência.

E quanto aos rookies? Olho especialmente em Romano Fenati e também em Joan Mir, os vice-campeão e campeão de Moto3, respectivamente, no ano passado.

Pilotos de Moto2 2018
Pilotos de Moto2 2018

Factos, estatísticas e curiosidades:

A categoria de Moto2 perdeu alguns pilotos, incluíndo aqueles que subiram à categoria rainha. São eles Xavier Simeon, Franco Morbidelli, Tom Lüthi, Takaaki Nakagami e Hafizh Syahrin. Deixaram o campeonato: Sandro Cortese, Axel Pons, Jesko Raffin, Yonny Hernandez, Edgar Pons, Augusto Fernandez e Tarren McKenzie.

Mas ganhou vários rookies: Romano Fenati, Joe Roberts, Federico Fuligni, Joan Mir, Eric Granado, Zulfahmi Kairuddin, Bo Bendsneider e Jules Danilo.

Dos pilotos da lista de Moto2, 14 já venceram corridas, somando um total de 87. E quatro deles foram campeões de Moto3: Joan Mir, Álex Márquez, Danny Kent e Brad Binder. Mas há outro campeão mundial: Sam Lowes foi campeão mundial de supersport em 2013.

No ano passado Franco Morbidelli alcançou a sua primeira pole position no Mundial neste GP, a que se seguiria a sua primeira vitória mundialista.

No seu primeiro grande prémio com a KTM, em 2017, Miguel Oliveira qualificou em 5.º, o seu melhor lugar na grelha até então desde que entrou nas Moto2 em 2016.

Ao iniciar a temporada em 2017, Tom Lüthi era o único piloto de Moto2 a ter ganho mais do que uma corrida desta categoria. O seu 2.º lugar em Losail foi o seu 36.º pódio em Moto2, mais do que qualquer outro piloto tinha até então.

O piloto mais velho da categoria Moto2 continua a ser Mattia Pasini. Terá 32 anos e 217 dias no arranque para a primeira corrida do ano. Há mais pilotos acima dos 30 anos: Héctor Barberá com 31 e Simone Corsi com 30.

O piloto mais novo é Iker Lecuona, que terá 18 anos e 72 dias quando assumir a sua posição na grelha de partida no domingo. Há mais pilotos adolescentes: Fabio Quartararo (18), Stefano Manzi (18), Bo Bendsneyder (19) e Khairul Idam Pawi (19).

No ano passado Fabio Quartararo foi o melhor dos rookies no Qatar, ao terminar em 7.º, e foi também o 5.º piloto francês a conquistar pontos em Moto2.

Moto3 – a caixinha de surpresas

Com os dois primeiros classificados do ano passado a subirem às Moto2 – Joan Mir e Romano Fenati -, fica Aron Canet com a maior responsabilidade por ter sido o terceiro classificado. Mas isso em Moto3 não quer dizer nada. Se olharmos para quem conseguiu vitórias e poles, temos, por exemplo, Jorge Martin. O espanhol só venceu uma vez, mas graças a uma tremenda consistência, com várias subidas ao pódio – e apesar de magoado a meio da temporada – foi 4.º no final do ano. Depois ainda Enea Bastianini ou Andrea Migno. Ou Fabio di Giannantonio.

Sem esquecer ainda aqueles que deram nas vistas este Inverno, como Marco Bezzecchi. Sem esquecer os rookies, que podem ser novatos mas alguns deles chegam aqui com uma grande rodagem. Dennis Foggia é o campeão mundial junior de Moto3; Jaume Masia foi vice-campeão no mesmo campeonato; Kazuki Masaki foi 6.º atrás deles, mas venceu a Red Bull MotoGP Rookies Cup.

Pilotos de Moto3 2018
Pilotos de Moto3 2018

Factos, estatísticas e curiosidades:

Também a categoria de Moto3 perdeu alguns pilotos e ganhou outros. Sairam: Joan Mir (Moto2), Romano Fenati (Moto2), Jules Danilo (Moto2), Bo Bendsneyder (Moto2), Manuel Pagliani (CEV), María Herrera (Mundial de SSP300), Juanfran Guevara e Patrik Pulkkinen.

Por outro lado chegaram: Jaume Masia, Dennis Foggia, Kazuki Masaki, Alonso López e Makar Yurchenko.

A vitória de Joan Mir no Qatar no ano passado foi a segunda da sua carreira no Mundial, e a 35.ª espanhola em 89 corridas de Moto3.

Nos oito anos anteriores, o piloto que no final da temporada conseguiu o título, tinha terminado no pódio no Qatar. Joan Mir no ano passado cumpriu a tradição: venceu a corrida e foi campeão.

Desde 2012 – ano de estreia das Moto3 – houve houve sempre um vencedor diferente no Qatar. Foram eles: Maverick Viñales, Luis Salom, Jack Miller, Alexis Masbou, Niccoló Antonelli e Joan Mir. Destes, apenas Antonelli permanece na categoria, sendo por isso o único a poder quebrar esta tradição.

Da actual lista de pilotos de Moto3 apenas sete já venceram um grande prémio. São eles: Niccolò Antonelli (3), Arón Canet (3), Enea Bastianini (2), Livio Loi (1), Andrea Migno (1), John McPhee (1) e Jorge Martín (1).

Dos 28 pilotos de Moto3 que estarão à partida par a primeira corrida do ano, 13 são adolescentes. O mais novo é o rookie Alonso Lopez, que terá 16 anos e 87 dias no domingo.

Mas há 4 pilotos com mais de 22 anos: Niccolò Antonelli (22 anos e 23 dias), Andrea Migno (22 anos e 68 dias), John McPhee (23 anos e 247 dias) e Jakub Kornfeil (24 anos e 344 dias). O checo é o mais velho da categoria.

Jorge Martin conseguiu a primeira pole da sua carreira aqui no passado. Quem diria que até ao final do ano ia bater um recorde em Moto3, ao conquistar 9 poles?