MotoGP: GP da Argentina arranca amanhã

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Antevisão GP da Argentina
Andrea Dovizioso

Depois da vitória de Andrea Dovizioso no arranque do campeonato, o que poderá o piloto italiano fazer na Argentina? Dovi não tem sido muito bem sucedido no circuito argentino; mas a injecção de moral da temporada passada e do primeiro GP do ano pode ter mudado as coisas. Olhando para trás, o piloto da Ducati tem poucas boas recordações do circuito argentino. Este é o quinto ano que o circuito situado na província de Santiago del Estero recebe um GP. O melhor resultado da Andrea Dovizioso nos quatro anos anteriores foi um 2.º lugar em 2015. As boas recordações acabam aí. No ano de estreia do circuito, em 2014, qualificou como melhor piloto Ducati, em 5.º na grelha. Na corrida chegou a rodar em 2.º, mas desceu na classificação e terminou em 9.º. Foi Marc Marquez quem venceu.

Em 2015 qualificou em 6.º para depois alcançar o único pódio conseguido neste circuito. Ganhou Valentino Rossi.

Em 2016 qualificou em 5.º e na corrida mais uma vez chegou ao 2.º lugar; mas apenas para ser empurrado por Andrea Iannone, caindo. Levantou-se e regressou à corrida para terminar em 13.º. Foi Marc Marquez quem regressou ao degrau mais alto do pódio, numa corrida marcada pela troca de motos; terminaram apenas 13 pilotos.

No ano passado Dovizioso nem conseguiu ir à Q2, qualificando em 13.º. Na corrida as coisas foram de mal a pior, ao ser empurrado por Àleix Esparagaró, terminando a corrida no chão. Maverick Viñales fazia história ao conquistar a segunda vitória consecutiva nas suas duas primeiras corridas com a Yamaha. A equipa japonesa conseguia também a dobradinha, com Valentino Rossi no 2.º lugar, com Cal Crutchlow a fechar o pódio.

Marquez com bom currículo

Marc Marquez chega a Termas de Rio Hondo no 2.º lugar do campeonato. Em quatro visitas ao circuito argentino, Marquez saiu sempre da pole position, e obteve duas vitórias; mas nas outras duas corridas caiu. Em 2015 depois de ter conseguido isolar-se na frente foi apanhado por Valentino Rossi. Na quente luta entre ambos o espanhol tocou na roda traseira do italiano e caiu, na penúltima volta.

No ano passado Marquez saiu da pole e liderava a corrida quando caiu logo à quarta volta. O piloto da Honda saiu da Argentina no 8.º lugar do campeonato.

Tal como no ano passado, Valentino Rossi chega à Argentina o 3.º lugar do campeonato. O veterano italiano tem um bom registo em Termas de Rio Hondo. Em quatro anos só uma vez não subiu ao pódio. Foi na primeira visita, em 2014, tendo terminado em 4.º. Essa foi uma de apenas duas ocasiões nesse ano em que Rossi não subiu ao pódio numa corrida a seco.

Antevisão GP da Argentina
Andrea Dovizioso e Valentino Rossi

O piloto da Yamaha venceu em 2015 e foi 2.º classificado em 2016 e 2017. O italiano é o único a ter corrido em Buenos Aires quando o GP da Argentina era realizado na capital. Rossi venceu a corrida de 250 cc em 1998 e foi 3.º em 1999.

Os independentes

Cal Crutchlow também já esteve duas vezes no pódio em Termas de Rio Hondo. Foi no ano passado (3.º) e em 2015 (3.º). Este ano chega à Argentina no 4.º lugar do campeonato. Se voltar a conseguir um pódio argentino, poderá manter-se entre os primeiros, como melhor piloto independente.

E Johann Zarco, que voltou a liderar no Qatar? O francês já venceu duas vezes em Termas de Rio Hondo. Foi em Moto2, categoria onde conseguiu também uma pole, estabelecendo um recorde, em 2015. No ano passado, na sua primeira visita enquanto piloto de MotoGP, o francês qualificou em 14.º; na corrida subiu na classificação para terminar em 5.º.

Outros pilotos que já estiveram no pódio de MotoGP em Termas de Rio Honda são Dani Pedrosa (3.º em 2016 e 2.º em 2014) e Jorge Lorenzo (3.º em 2014).

Factos, estatísticas e curiosidades:

Com a segunda vitória consecutiva em 2017, Maverick Viñales quebrou uma sequência de vencedores diferentes. Nas cinco corridas anteriores não se tinha repetido o vencedor, com as vitórias a irem para as mãos de Marc Marquez, Cal Crutchlow, Andrea Dovizioso, Jorge Lorenzo e o próprio Viñales.

Valentino Rossi fez história na Argentina no ano passado: o piloto italiano foi o primeiro de sempre na história do campeonato a participar em 350 grandes prémios na sua carreira. Hoje, um ano depois, soma 366. Sendo o GP da Argentina de 2017 o 888.º grande prémio da história, isso significava que Rossi até então tinha participado em 39,4% dos eventos do campeonato desde que este teve início em 1949. O segundo piloto da lista com mais GPs realizados é Loris Capirossi, com 328. Dos que ainda estão no activo o segundo é Dani Pedrosa, actualmente com 278.

Ao vencer as duas primeiras corridas da temporada passada, Maverick Viñales foi o primeiro piloto Yamaha a fazê-lo desde Wayne Rainey em 1990.

Em 2017, depois de ter terminado fora do pódio em Losail e de ter caído em Termas de Rio Hondo, foi a primeira vez em cinco anos que Marc Marquez não conseguiu vencer pelo menos uma das primeiras duas corridas do ano. Se não vencer na Argentina será o segundo ano consecutivo que não vence uma das duas primeiras corridas da temporada.

Para além disso, não subia ao pódio desde o GP do Japão de 2016, quando conquistou o título do ano anterior. Desde então, em cinco corridas (embora em temporadas diferentes) tinha conquistado apenas 38 pontos.

Mais recordes

Valentino Rossi ao terminar no pódio no Qatar assegurou mais dois recordes: subiu ao pódio pelo menos uma vez por época em 19 anos a competir na categoria rainha. O seu rival mais próximo é Giacomo Agostini, com 13 anos consecutivos a subir pelo menos uma vez ao pódio em cada temporada…

… e no seu 23.º ano de carreira no Mundial o ‘Dottore’ assegurou sempre um pódio todos os anos, em todas as categorias, batendo Angel Nieto, com 20 anos consecutivos de pódios.

Também Cal Crutchlow tem conseguido sempre um pódio: o piloto britânico tem subido pelo menos uma vez ao pódio em seis temporadas consecutivas. Conseguirá manter esse registo este ano?

Em 2017 foi o quarto ano consecutivo que Marc Marquez saiu da pole position em Termas de Rio Hondo.

Ao qualificar surpreendentemente em 2.º no ano passado, Karel Abraham obteve a sua melhor qualificação de sempre no Mundial e foi a primeira vez que qualificou na primeira linha da grelha, algo que nunca tinha acontecido a um piloto checo na categoria desde a introdução das MotoGP em 2002.

Ao terminar no pódio, Cal Crutchlow terminou um jejum difícil: não tinha terminado as três corridas anteriores, desde que venceu o GP da Austrália de 2016.

O passado GP do Qatar foi o mais ‘apertado’ de sempre entre os 15 primeiros. Karel Abraham, o 15.º classificado, terminou apenas 23,287 s atrás do vencedor, Andrea Dovizioso. Isto bate o anterior recorde em quase 3 segundos. No ano passado os 15 primeiros no GP de Aragão tinham terminado separados por 26,082 s.

Luta de construtores

Com as Honda de Marquez e Crutchlow e a Ducati de Abraham nas três primeiras posições da grelha de partida em 2017, era a primeira vez desde o GP do Qatar de 2015 que a Yamaha não tinha uma moto na primeira linha da grelha.

O melhor piloto Yamaha na grelha era Maverick Viñales, em 6.º.

O melhor dos rookies na qualificação foi Jonas Folger, em 11.º.

No ano passado, com Andrea Dovizioso em 13.º da grelha e o seu companheiro de equipa em 16.º, foi a primeira vez desde o GP do Estados Unidos de 2006, em Laguna Seca, que nenhum dos pilotos da equipa oficial Ducati qualificou entre os 12 primeiros.

Ao vencer este ano no Qatar, Andrea Dovizioso ultrapassou Jorge Lorenzo na lista dos pilotos com carreiras vencedoras mais longas na categoria rainha. Desde a primeira vitória de Dovi na Grã-Bretanha em 2009 e a do Qatar este ano passaram 8 anos e 235 dias. Dovi está agora em 7.º nessa lista que é liderada por Valentino Rossi. 16 anos e 351 dias separam a primeira vitória do Dottore na Grã-Bretanha em 2000 e a última, no GP da Holanda do ano passado.

As últimas 11 corridas de MotoGP foram vencidas por pilotos Ducati ou Honda: Andrea Dovizioso (5), Marc Marquez (5) e Dani Pedrosa (1).

Johann Zarco pontuou nas anteriores 18 corridas consecutivamente. A última vez que não pontuou foi no GP do Qatar do ano passado, ao cair depois de liderar as seis primeiras voltas.

Andrea Dovizioso tonrou-se no primeiro piloto Ducati a vencer a primeira corrida do ano desde que Casey Stoner venceu em Losail em 2009.

Moto2 – Pole e pódio para Oliveira

Em 2017 Miguel Oliveira alcançou a pole position em Termas de Rio Hondo, a primeira do piloto português, e também da KTM, nesta categoria. Na corrida Oliveira ofereceria o primeiro pódio à marca austríaca em Moto2, ao terminar em 2.º atrás de Franco Morbidelli. Tom Lüthi fechou o pódio.

Antevisão GP da Argentina
Miguel Oliveira

Este ano Francesco Bagnaia chega à segunda corrida do ano na frente do campeonato, depois de ter vencido no Qatar. O italiano nunca subiu ao pódio em Termas de Rio Hondo, nem Lorenzo Baldassarri, que ocupa as posição seguinte. Dos actuais pilotos de Moto2, os únicos que já estiveram no pódio na Argentina foram Miguel Oliveira (2.º em 2017) e Sam Lowes (2.º em 2016 e 3.º em 2015). Mas outros pilotos actualmente nas Moto2 subiram ao pódio quando estavam nas Moto3: Joan Mir, Khairul Idham Pawi, Jorge Navarro, Brad Binder, Danny Kent, Romano Fenati e Àlex Marquez.

Antevisão GP da Argentina
Francesco Bagnaia e Lorenzo Baldassarri

Factos, estatísticas e curiosidades:

No ano passado Miguel Oliveira conseguiu aqui a sua primeira pole position na categoria intermédia. Foi também a primeira pole da KTM em Moto2 a primeira conseguida por um piloto não-Kalex desde que Sam Lowes foi mais rápido na qualificação do GP da Grã-Bretanha de 2015, em Silverstone, com a Speed Up.

Ao vencer na Argentina no ano passado Franco Morbidelli foi o primeiro piloto italiano a conseguir vitórias consecutivas na categoria intermédia desde Marco Simoncelli em 2009, ainda na era das 250 cc. Foi também o primeiro piloto a vencer as duas primeiras corridas do ano na classe intermédia desde Jorge Lorenzo em 2007.

Em 2017 o segundo ano consecutivo que Álex Marquez caiu na corrida na Argentina.

Ao conquistar o pódio na corrida no ano passado, Tom Lüthi terminou um enguiço: nunca tinha acabo uma corrida na Argentina acima do 6.º lugar.

Takaaki Nakagami caiu aqui em 2017 quando tentava recuperar da sua segunda pior qualificação de sempre, o 22.º lugar. Em 2015 tinha qualificado em 25.º no GP da Catalunha.

No Qatar Francesco Bagnaia conseguiu a sua primeira vitória em Moto2. Tornou-se no sétimo piloto italiano a vencer nesta categoria. Com Lorenzo Baldassarri a terminar em 2.º, foi a primeira dobradinha italiana desde o GP de Aragão no ano passado, quando Franco Morbidfelli venceu e Matttia Pasini foi 2.º.

O 2.º lugar de Lorenzo Baldassarri foi o seu primeiro pódio desde que venceu em Misano há dois anos. O seu 4.º lugar na Argentina no ano passado foi o seu melhor resultado da época.

Longas carreiras

O GP da Argentina será o 100.º GP de Mattia Pasini na categoria Moto2 (e o 210.º da sua carreira). Será o 8.º piloto a alcançar esse marco desde que as Moto2 foram introduzidas em 2010.

Para Àlex Marquez o GP da Argentina será o 100.º da sua carreira. No ano passado o piloto espanhol caiu no GP da Argentina quando rodava em 2.º, atrás de Morbidelli.

Miguel Oliveira no ano passado qualificou na pole e foi o 2.º na corrida. Foi o primeiro português a alcançar a pole na categoria intermédia do Mundial. E registou a volta mais rápida da corrida.

Miguel Oliveira e Sam Lowes são os únicos actuais pilotos de Moto2 que qualificaram na pole position e subiram ao pódio em Termas de Rio Hondo.

No ano passado, apesar de lesinado no braço, Brad Binder conseguiu recuperar do 24.º lugar na grelha de partida para terminar a corrida em 9.º. Por causa da lesão faltaria às corridas seguintes, voltando apenas no GP de Itália.

Moto3 – Martin lidera

Jorge Martin venceu no Qatar por uma margem mínima, mas é o líder do campeonato. No ano passado o piloto espanhol esteve no pódio na Argentina, mas não conseguiu bater Joan Mir ne, John McPhee na luta pela vitória.

Antevisão GP da Argentina
Jorge Martin e Aron Canet

Joan Mir este ano não está nas Moto3, mas o outro piloto que também esteve no pódio no ano passado continua. John McPhee não teve um bom início de temporada, ao cair em Losail. O britânico caiu quando lutava pelo pódio, e no ano passado foi o 2.º classificado aqui na Argentina, por isso há que contar com ele.

O mesmo acontece com Aron Canet e Lorenzo dalla Porta, que estiveram no pódio na corrida anterior. Tendo em conta que no ano passado os dois primeiros pódios do ano foram iguais, poderá suceder o mesmo este ano?

Factos, estatísticas e curiosidades:

Maverick Viñales em MotoGP, Franco Morbidelli em Moto2 e Joan Mir em Moto3; os mesmos pilotos venceram as duas primeiras corridas de 2017 nas respectivas categorias, algo que não sucedia desde 1992. Nesse ano os pilotos foram Ralph Waldmann em 125 cc, Luca Cadalora em 250 cc e Mick Doohan em 500 cc.

No ano passado foi também a primeira vez desde 1972 que os mesmos pilotos ocuparam, pela mesma ordem, os dois primeiros pódios da temporada na categoria mais pequena do Mundial. Em 1972 os pilotos foram Gilberto Parlotti, Charles Mortimer e Börje Jansson, nos GPs da Alemanha Oriental (Nürburgring) e França (Clermont-Ferrand).

Sem ser nas duas primeiras corridas do ano, já tinha havido outros dois pódios consecutivos iguais: Alex Rins, Maverick Viñales e Álex Márquez em Misano e Aragão em 2013.

Em 2017 John McPhee qualificou na pole pela terceira vez na sua carreira; as anteriores foram em Phillip Island e Valência em 2015.

Romano Fenati era em 2017 o único piloto de Moto3 a ter já vencido em termas de Rio Hondo, em 2014. Em 2015 foi penalizado com a última posição da grelha e recuperou até 8.º e em 2016 qualificou em 2.º, mas deu-se mal na corrida à chuva e terminou em 20.º.

Ao vencer no ano passado na Argentina, Joan Mir foi o primeiro piloto espanhol a conseguir vitórias consecutivas em Moto3 desde Álex Rins em 2014.

A única mulher

E o último piloto a ter conseguido vitórias consecutivas tinha sido Brad Binder, em Silverstone e Misano, em 2016.

Mas Mir faria ainda melhor e a meio da temporada venceu três corridas consecutivas: Alemanha, República Checa e Áustria.

Maria Herrera conseguiria na Argentina o seu único ponto da temporada. A piloto espanhola terminou a corrida em 16.º, mas Nicolo Bulega foi penalizado com 2 segundos no final da corrida por pilotagem irresponsável, e com isso baixou de 13.º para 16.º. Assim Herrera subiu ao 15.º lugar, conquistando 1 ponto.

Com este ponto, Maria Herrera tornava-se na terceira mulher a pontuar num grande prémio, depois da japonesa Tomoko Igata e da finlandesa Taru Rinne.

Com a vitória este ano em Losail Jorge Martin tornou-se no sexto piloto a vencer corridas consecutivas em Moto3, depois de Joan Mir, Luis Salom, Álex Márquez, Álex Rins e Maverick Viñales.

Esta vitória de Jorge Martin foi a 580.ª vitória em GP para Espanha.

A vitória de Martin foi ainda a 13.ª vitória consecutiva da Honda em Moto3. A Honda venceu as últimas três corridas de Moto3 na Argentina. O único piloto não-Honda a vencer em Termas de Rio Hondo foi Romano Fenati, em 2014, com a KTM.

Gabriel Rodrigo está determinado em ser o primeiro piloto argentino a vencer na categoria mais pequena. Mas Rodrigo nunca conseguiu sequer pontuar em casa. No ano passado fez o sacrifício de alinhar apesar de ter fracturado a clavícula na corrida anterior, no Qatar. Acabou por cair a 10 voltas do final.