GP do Qatar: um demoníaco Desmo Dovi

No primeiro grande prémio da temporada, no Qatar, Andrea Dovizioso voltou a ganhar um 'mano a mano' com Marc Marquez. Valentino Rossi também subiu ao pódio.

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Andrea Dovizioso, Marc Marquez_GP

Os fãs de MotoGP assistiram hoje à continuação dos duelos entre Marc Marquez e Andrea Dovizioso que tiveram início no ano passado. Tal como em várias situações no ano passado, Dovi levou a melhor.

Após as primeiras voltas poucos apostariam na vitória de Andrea Dovizioso. Arrancou mal e estava em 7.º no início da segunda volta.

Quem no comando da corrida durante 16 das 22 voltas foi Johann Zarco. Tal como no passado, o francês assumiu cedo o comando da corrida, e desta vez não caiu. Liderou até deixar de poder curvar para direita, com o pneu dianteiro deteriorado desse lado. A partir daí, foi caindo na classificação.

Mas nessa altura Andrea Dovizioso já estava no grupo da frente, e assumiu a liderança da corrida. Com Marc Marquez colado na sua roda traseira, os dois lutaram nas últimas voltas, e o espanhol levou a luta até à última curva, conseguindo passar para a frente. Mas apenas por momentos. Dovi devolveu a manobra e tirou partido da velocidade da Ducati a caminho da bandeira de xadrez para arrecadar a vitória por 0,027 s.

Andrea Dovizioso Marc Marquez GP Qatar
Última curva!

É a terceira vez que Andrea Doviozioso sai bem sucedido em batalhas de última volta com Marc Marquez, que no final da corrida dizia estar determinado em inverter a situação.

Valentino Rossi esteve no grupo da frente desde o início, confirmando o ritmo de corrida que tinha conseguido nos treinos. Protagonizou batalhas interessantes e assegurou o 3.º lugar final, e estava tão feliz como se tivesse ganho.

Um dos seus opositores foi Cal Crutchlow – que caiu no warm up -, que terminou em 4.º e foi o melhor piloto independente., batendo Danilo Petrucci.

Viñales recupera

Logo a seguir ficou Maverick Viñales. Depois de uma má qualificação, o espanhol da Yamaha arrancou mal e no final da primeira volta era 14.º. Tendo encontrado uma melhor afinação e ganhando de novo boas sensações, Viñales foi subindo na classificação para terminar em 6.º. O espanhol lamenta-se também de nos testes estar tão focado na moto, que raramente treinou partidas, justificando assim o mau arranque.

Quem também disse ter recuperado as boas sensações foi Dani Pedrosa, e depois do trabalho do fim-de-semana decidiu, tal como Marquez, optar pelo slick dianteiro duro. Foram os únicos a fazê-lo. Por outro lado, Pedrosa, que temrinou em 7.º, queixou-se do pneu traseiro, que diz ter tido um rendimento inferior ao habitual, escorregando muito.

Jorge Lorenzo e Alex Rins abandonaram devido a queda. Rins perdeu a frente e sofreu um low side, enquanto que Lorenzo ficou sem travão dianteiro. Já nos treinos o piloto da Ducati tinha sofrido alguns problemas técnicos, como o travão traseiro, que a dada altura aqueceu tanto que estava incandescente. Na corrida, Lorenzo ficou sem travão, e diz ter preferido cair do que ir bater no muro. A moto do espanhol chegou à box sem metade de uma das pastilhas.

1. Andrea Dovizioso – Ducati Team (22 voltas em 42’34.654)

«Estou muito contente com esta vitória, porque confirmámos as melhorias que fizemos no Inverno. Consegui gerir bem a corrida apesar de ter feito uma partida péssima. Tive que cortar gás quando entrei em contacto creio que com Rins. Mas depois comecei a recuperar posições procurando não arruinar os pneus. Perto do fim, depois de ter ultrapassado o Zarco, tentei cavar um fosso para o Marquez e para o Rossi, mas já não tinha aderência e não consegui aumentar a minha vantagem. Na última curva procurei estar muito atento, porque sabia que o Marquez ia tentar passar-me, e de facto foi assim. Ele fechou a porta ainda mais do que na Áustria e Japão, mas eu passei-o por dentro e depois tirei partido da potência da minha Ducati para ficar na frente. Mais uma vez estou muito satisfeito!»

2. Marc Marquez – Repsol Honda Team (a 0.027 s)

«Que corrida! Estou muito contente com esta segunda posição, porque este é um dos circuitos do calendário onde mais sofremos. Já o tínhamos visto durante os testes, e por isso hoje era de esperar. Com o pneu dianteiro duro sofria um pouco nas curvas para a esquerda, mas com o médio não tinha terminado a corrida. Tentei tudo para ultrapassar o Dovi na última curva, mas voltou a ganhar-nos. Sinceramente, esperava isso, mas de qualquer modo tentei, para ver como resultava. Hoje ele tinha algo mais do que eu e merece a vitória. Inclusivé, tendo ele saído um pouco atrasado, eu estava à espera dele; esperava o vermelho. Sabia que a sua estratégia seria puxar no final, e quando ele ultrapassou o Zarco eu disse ‘Vamos!’, segui-o e quase saí de pista. Mas foi uma grande corrida, um grande espectáculo e há uma coisa de que gostei muito: desta vez na recta éramos capazes de o acompanhar. Isso é muito bom.»

3. Valentino Rossi – Movistar Yamaha (a 0.797 s)

«Foi uma grande luta e uma grande corrida. Sinceramente, no ano passado foi uma surpresa maior para mim. Na altura esperava menos terminar no pódio. Com a moto deste ano senti-me bem. Desta vez estava mais competitivo e pude fazer uma boa corrida, mas nunca sabemos se é suficiente para o pódio, porque havia 10 pilotos muito fortes. Tentei puxar desde o início, porque comecei da terceira fila e na primeira volta consegui ultrapassar alguns pilotos. Outro ponto-chave foram as últimas voltas, em que no ano passado os mais fortes foram Dovizioso e Marquez. Eu sei que eles tinham o suficiente para mudar o ritmo, mas estou muito contente por ter conseguido ir com eles hoje e chegar ao final perto deles. Infelizmente, não foi o suficiente para a vitória, mas o pódio é uma excelente maneira de começar.»

4. Cal Crutchlow – LCR Honda Castrol (a 2.881 s)

«Estou feliz. Obviamente, o objectivo era terminar no pódio, mas também terminar nos pontos, o que não fiz aqui nos dois anos anteriores. É um campeonato longo e quero agradecer à minha equipa pelo trabalho que fizeram no Inverno.Tal como a Honda como construtor, fizeram um excelente trabalho no motor e isso significa que estamos um pouco mais competitivos, especialmente em recta. Crédito seja dado aos pilotos do pódio, fizeram uma grande corrida, e foi muito divertida. Aquele ‘elástico’ simplesmente partiu-se quando fiquei atrás do Zarco. Os três primeiros escaparam e quando passei por ele, tinha o mesmo ritmo que eles. Não conseguia aproximar-me, e por isso decidi simplesmente terminar e arrecadar os 13 pontos.»

5. Danilo Petrucci – Alma Pramac Racing (a 3.821 s)

«Estou um bocado dividido. Por um lado estou contente por ter terminado em 5.º, o que era o meu objectivo, embora ache que tinha potencial para ter terminado no pódio. O Pedrosa ultrapassou-me na altura errada quando os três primeiros melhoraram o ritmo. A escolha do pneu macio à frente talvez não tenha sido a correcta, mas estou satisfeito, estamos muito mais perto do que no ano passado.»

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