Cruise control adaptativo nem sempre ‘vê’ as motos

Se a moto não circular no centro da via o cruise control adaptativo dos automóveis pode não ser capaz de a detectar. Aviso no manual do carro é insuficiente, diz a FEMA.

94
Cruise control adaptativo
Cruise control adaptativo

Os sistemas de assistência à condução têm sofrido uma grande evolução no ramo automóvel. Mas isso não quer dizer que os automobilistas possam relaxar ao volante. Por exemplo, o cruise control adaptativo que equipa cada vez mais automóveis nem sempre detecta as motos; por vezes tem que ser o condutor a intervir.

O cruise control adaptativo é talvez um dos mais comuns sistemas de ajuda à condução (denominados ADAS, advanced driver assistance systems). Difere do comum cruise control porque, além de manter o veículo à velocidade programada pelo condutor, trava caso detecte outro veículo à frente, na mesma via, e mantém uma distância segura.

A pedido da FEMA (a federação europeia de associações de motociclistas) e de duas organizações holandesas (MAG – grupo de acção motociclista, e KNMV, a federação holandesa de motociclismo), a RDW (a autoridade dos transportes holandesa) investigou a visibilidade dos motociclistas perante este sistema. Em testes anteriores a RDW tinha concluído que o CCA é capaz de detectar motos à sua frente.

Da esquerda para a direita: Dolf Willigers (FEMA), Jan Sybren Boersma (RDW), Wim Taal (FEMA) e Arjan Everink (KNMV)

Preocupações com a segurança

A KDW desta vez fez testes com as motos em diversas posições na via. O sistema até chega a detectar as motos a maior distância do que outros carros; mas há ocasiões em que o sistema não ‘vê’ a moto. Se a moto circular perto do limite da via, e não no centro, o sistema é incapaz de a detectar e mantém a velocidade. Nesses casos é o condutor que tem que intervir para evitar o acidente.

Por isso, todos os construtores dos automóveis que a RDW testou fazem um aviso no seu manual de utilizador. Por exemplo, o do Volvo XC60 diz: «Pequenos veículos, como motociclos, ou veículos que não circulam no centro da via, podem não ser detectados.»

Por isso o secretário geral da FEMA, Dolf Willigers, mostra-se preocupado com os ADAS: «Estamos muito contentes que a RDW concorde connosco em que este assunto tem que ser encarado seriamente, e o relatório mostra-nos que as nossas preocupações sobre a visibilidade dos motociclistas pelos ADAS é justificada. A investigação da RDW prova que ainda estamos longe de carros de condução (semi) automática seguros».

ADAS
Os sistemas de assistência à condução estão longe de serem confiáveis, diz a FEMA

Willigers acrescenta que «o relatório da RDW prova que os ADAS ainda não estão preparados para podermos confiar neles. Quer os condutores dos automóveis quer os motociclistas devem estar cientes disto. Um aviso escrito num manual do carro não é suficiente. Estes sistemas de assistência têm que ser devidamente testados e isto devia fazer parte do teste de homologação dos carros. Um carro com sistemas que falhem nesse teste não pode ser permitido nas estradas públicas».

A intenção da FEMA é continuar a investigação com a RDW, e levar o assunto à Comissão e Parlamento Europeus.