Competições menos conhecidas, parte 5 – Drag Racing

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São as corridas mais curtas, breves e velozes de todo o desporto motorizado em duas rodas: nas corridas de dragsters, ou de arranques, autênticas bestas mecânicas com mais de 1000 cavalos cumprem os 400 metros do percurso em menos de 6 segundos e atingem os 400 km/h.

Aquilo que começou como corridas de rua, nos anos ’50 tornou-se em corridas organizadas nos EUA, onde a modalidade é mais popular. Na Europa existem vários campeonatos nacionais – Inglaterra, Suécia, Holanda, etc – e até um campeopnato europeu.

Existem actualmente várias entidades que promovem este desporto, envolvendo várias categorias, que permitem a participação desde motos muito próximas do original, cumprindo o quarto de milha (402,25 metros) em cerca de 9 segundos, até às Pro Stock e Top Fuel, os monstros mecânicos criados em casa.

São corridas realizadas com dois concorrentes de cada vez, numa pista plana e recta e o objectivo é ser o mais rápido a cumprir a distância total, um 1/4 de milha (402 metros).

No campeonato europeu, realizado sob a égide da FIM Europa, existem quatro categorias, a mais acessível Super Street, depois a Pro Stock, a Super Twin e por fim as Top Fuel.

Nos Estados Unidos, para além de existirem duas entidades a organizar campeonatos a nível nacional, a NHRS e a NHDRO, há muito eventos locais e muitas categorias, mas as mais espectaculares – e mais rápidas – são a Pro Stock e Top Fuel.

Nas categoria mais baixas, onde são permitidas poucas alterações, as desportivas de um litro são bastante populares.  Em categorias superiores, duas motos destacam-se: a Suzuki GSX-R 1300 Hayabusa e a Kawasaki ZX-14R Ninja. São as motos mais populares para determinadas categorias, com os seus motores a serem bastantes transformados, sobre-alimentados, e muito musculados.

As Harley-Davidson também têm pergaminhos nas corridas de arranque, dominando a categoria reservada às bicilíndricas e existindo também uma categoria exclusiva para as motos americanas.

Mas as rainhas são as Top Fuel, que não têm nada a ver com qualquer outra moto. São protótipos feitos exclusivamente para estas corridas, por isso há apenas umas dezenas delas em todo o mundo.

Quer o motor quer o quadro são construídos especificamente para esta competição. Por exemplo, a moto de Larry ‘Spiderman’ McBride, que detém o recorde americano do quarto de milha, tem por base um motor de quatro cilindros em linha de 1500 cc, com cabeça de duas válvulas por cilindro, que consome nitrometano e debita cerca de 1500 cv de potência máxima. Com esta moto McBride tem a melhor velocidade máxima de sempre na modalidade: 410,85 km/h, conseguidos em Setembro de 2017. São 410 km/h alcançados em 400 metros. Em seis segundos!

A passagem de caixa – apenas uma depois do arranque – é feita com recurso a um sistema pneumático, que garante engrenamentos rápidos e precisos.

A embraiagem é, naturalmente, especial e só fica totalmente embraiada depois dos primeiros três ou quatro segundos de prova; na verdade, o arranque e a aceleração é controlado apenas pela embraiagem, já que o acelerador está sempre totalmente aberto. O sucesso de uma corrida começa por isso nas boxes, já que é primordial ter muito bem coordenados o sistema de alimentação e embraiagem.

A ciclistica nas categorias mais baixas é pouco alterada, com suspensões rebaixadas e braço oscilante mais longo – nalgumas é mesmo obrigatório usar pneus de estrada e não podem ter wheelie bar. Mas nas categorias de topo, o quadro é construído especificamente para estas motos, bastante longo e capaz de albergar o volumoso motor; atrás é adoptado um largo pneu slick de perfil plano, e a posição de condução é praticamente deitado de barriga em cima do propulsor. Um longo wheelie bar evita que as motos façam cavalinhos; ao contrário dos automóveis, estas motos não possuem pára-quedas para ajudar a travar depois da corrida.

Muito importante é também o tempo de reacção à ‘árvore de Natal’, o conjunto de luzes cuja sequência dá ordem de arranque. A ‘árvore de Natal’ é uma estrutura que tem um conjunto de sete luzes: uma azul no topo, que se acende quando ambos os pilotos estão na posição certa para a partida, depois ligam-se os três pares de luzes ambar, com 0,5 ou 0,4 s de diferença (dependendo da competição) entre elas e finalmente acende-se o par de luzes verdes, que ordena a partida. Se algum dos pilotos arrancar antes da luz verde, acende-se uma luz vermelha – a do seu lado -, e esse piloto é desclassificado.

O homem mais rápido desta modalidade é o sueco Peter Svensson, que estabeleceu o actual recorde mundial dos 400 m, em Agosto de 2012, nuns alucinantes 5,709 segundos; mas ficou longe do recorde da velocidade, tendo conseguido ‘apenas’ 384 km/h. O mais curioso, é que apesar de terem sido os 400 metros mais rápidos de sempre, Svensson cortou gás antes do final da prova – porque a moto estava a desviar-se da trajectória – e cruzou a meta a 355 km/h, ou seja, poderia ter feito ainda menos do que os 5,709 s.

Neste momento há uma lista de 12 pilotos que conseguiram baixar da marca dos seis segundos:

1. Peter Svensson SUE 5,709 s
2. Larry McBride EUA 5,728 s
3. David Vantine EUA 5,778 s
4. Korry Hogan EUA 5,789 s
5. Jimmy Brantley EUA 5,800 s
6. Ian King RU 5,817 s
7. Sam Wills EUA 5,882 s
8. Chris Hand EUA 5,885 s
9. Rikard Gustafsson SUE 5,898 s
10. Geoff Pollard CAN 5,932 s
11. Sverre Dahl NO 5,938 s
12. Tom Perry EUA 5,980 s

 

Mas apenas dois conseguiram superar os 400 km/h:

1. Larry McBride EUA 410.85 km/h
2. Korry Hogan EUA 410.38 km/h
3. David Vantine EUA 396.60 km/h
4. Rikard Gustafsson SUE 393.80 km/h
5. Chris Hand EUA 392.87 km/h

 

Apesar de ser uma modalidade tipicamente de asfalto, existem também corridas de arranque em terra.