Competições menos conhecidas, parte 4 – Subida impossível

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A Subida impossível, ou Hill Climb, é uma competição quase tão antiga quanto as primeiras motos. O objectivo é superar uma subida de forte inclinação, em terra, e ser o mais rápido a chegar ao topo. Esta foi uma forma que os primeiros construtores encontraram para testar as suas motos. Depois tornou-se numa competição: o primeiro registo histórico de uma prova desta modalidade data de 1903, nos Estados Unidos.

Foi um desafio que se popularizou um pouco por todo o Mundo. Actualmente existem campeonatos nacionais nos Estados Unidos e em França, por exemplo, sob a égide das respectivas federações de motociclismo, AMA e FFM, e agora há até um Mundial, que reune pilotos de 12 países num evento em Decazeville, Aveyron no Sul de França, a cerca de 200 km de Montpellier. Começou em 2004 por se chamar Subida das Nações e depois evoluiu para Mundial.

Eventos ‘avulsos’ da modalidade existem espalhados por muitos países, incluíndo Portugal: há 17 anos que o Moto Clube de Albufeira organiza a Subida Impossível de Silves, em Enxerim, que é já uma clássica, e reune no início de Novembro dezenas de pilotos que tentam chegar ao topo dos 100 m que poucos conseguem superar.

Nos EUA, França e Bélgica há locais emblemáticos para esta modalidade que envolve amadores e também pilotos mais profissionais; enquanto uns usam as vulgares motos de todo-o-terreno e motocross, os outros constroem verdadeiros protótipos.

A modalidade ganhou alguma popularidade na Europa quando no final do anos ’90 o canal Eurosport começou a transmitir a Subida Impossível de Rachau, na Áustria. Era uma prova que para além do carácter competitivo envolvia algum folclore – e aparentemente muito álcool! – que lhe dava um colorido extra, para além de ser um desafio verdadeiramente difícil de superar, mesmo para os mais sérios que iam lá com esse único propósito.

Os regulamentos variam de país para país e até de evento para evento, mas regra geral a pista deve ter mais de 100 m de comprimento e 4 a 10 m de largura e ser o mais inclinada possível, claro; as motos são basicamente livres; por exemplo, no campeonato francês a única regra é não poderem exceder 1700 mm de distância entre eixos, e não são admitidas motos de série.

Noutros eventos encontram-se desde a vulgar moto de enduro, à moto de enduro adaptada, com um motor maior e braço oscilante mais comprido, até ao protótipo mais exótico, com motor de dois, três ou quatro cilindros, braço oscilante alongado e pneu traseiro de carro, bem largo, pejado de parafusos para conseguir o máximo de tracção possível.

Nos eventos mais radicais os protótipos vão ainda mais longe, com quadros e braços oscilantes especiais que lhe conferem cerca de 3 m de comprimento e equipadas com motores que superam os 2000 cc, alimentados com um suplemento de óxido nitroso, resultando em motos com potências para lá dos 200 cv.

As subidas não são todas iguais: se há umas mais simples que não são mais do que uma rampa muito inclinada, outras têm desafios e obstáculos particulares, que podem ser degraus, lombas, calhaus ou, nalguns casos, autênticas paredes verticais mesmo no topo da subida. Ganha quem concluir a subida no menor tempo ou, caso ninguém consiga completá-la, ganha aquele que chegar mais longe.